quarta-feira, 17 de julho de 2013

7 motivos para saber inglês

Foto: Professor Ivan Lucas





Comecei a estudar inglês aos 6 anos de idade. Obviamente naquela idade eu não tinha a mínima noção de que o inglês seria importante pra minha vida - Eu só pensava em brincar de Barbie (talvez tenha sido minha primeira palavra em inglês). Cresci ouvindo, dos meus pais e de professores, que eu tinha "muita facilidade com idiomas". Idiomas, no plural, na época era só o inglês e o português mesmo. Facilidade não sei se tinha. Sei que tinha gosto. Durante os bons 10 anos que aprendi inglês nunca fui a aluna exemplar. Sempre tirava notas boas nas provas, sim, mas não era de fazer lição de casa nem de estudar. As coisas simplesmente faziam sentido pra mim. Juntou-se a isso a adoração por bandas gringas como Hanson, Spice Girls e Backstreet Boys, e minha obsessão para traduzir as letras das músicas que eu mal sabia cantar só fez a paixão pelo inglês crescer. Pra mim, portanto, nunca houve um por quê de aprender inglês (ou qualquer outra língua, na verdade. Quando me perguntam por que aprendo chinês, respondo com naturalidade "Por que não?").
No entanto, tenho total consciência de que não é todo mundo que tem esse gostinho por idiomas. Desde o primeiro dos meus 9 anos em sala de aula, pergunto a meus alunos o que os faz aprender inglês. A resposta mais comum é: preciso pro meu trabalho. Isso é, sim, verdade para muitas pessoas, e acho que todo mundo espera isso.
Hoje, porém, resolvi apresentar razões para saber inglês que fogem um pouco do cliché.

1- Saber o que estão falando de você.

       
Se alguém ao ser redor for sacana como eu certa vez fui, é bom ter ouvidos atentos e treinados em inglês pra poder se defender. Quando era adolescente, num jogo de tranca, eu e minha dupla, ambas falantes de inglês, roubamos no jogo murmurando palavras em inglês: "King of clubs, Jack of diamonds...". O adversário não falava inglês e pensou que estivéssemos cantando uma música qualquer. Ganhamos o jogo. 
Não apenas nessas situações, mas se você é egocêntrico o suficiente para achar que estão falando de você quando um gringo olha em sua direção e fala alguma coisa, é bom saber o que estão falando- ou pra se defender, ou pra agradecer o elogio. Claro que saber inglês não garante entender o que qualquer gringo fala, afinal, eles podem usar outra língua. Mas as chances são maiores. 
Certa vez, num samba na Vila Madalena, estava curtindo o som atrás de dois loirinhos, gatinhos, até. Num determinado momento um amigo em comum, brasileiro, me apresentou aos meninos, que me cumprimentaram em inglês. Depois desse momento inicial, um virou pro outro e disse, em alemão "Sie ist echt hübsch" (Ela realmente é bonita). Eu, que já falava alemão, virei e disse "Danke schön", agradecendo com o sorriso, e os deixei sem fala- eles mal imaginavam que eu sabia falar alemão. O meu prazer naquele momento é indescritível.

2- Poder pegar as malas e se mandar, sem precisar de ninguém.


Para os brasileiros é pouco comum simplesmente pegarmos as malas e nos aventurarmos pelo mundo (inclusive, é uma pena que ainda seja assim). As pessoas pensam que se forem viajar pra perto, pra outros países da América do Sul, não precisam saber inglês. Um "portunhol" tá de bom tamanho.
Sim, com o portunhol você não passa fome nem dorme na rua.  A questão é: se você realmente decidir se mandar sozinho e não estiver numa pegada "Na natureza selvagem", mas a fim de conhecer uma galera nos hosteis e bater um papo com pessoas de outros países, vai precisar do inglês. Experiência própria.
Em 2011 peguei o Zeca (minha mochila amarela) e me mandei do Brasil. Fiquei 4 meses viajando pelo Uruguai, Argentina, Chile e Peru. Eu tinha começado a aprender espanhol 6 meses antes (não suporto a ideia de falar portunhol), estava preparada pra treinar a língua dos hermanos, maaas... pra minha surpresa, praticamente só falei inglês. Tirando as pessoas que me hospedaram pelo Couchsurfing, o pessoal que conheci nos hosteis, no navio e na estrada era tudo europeu (entenda-se 70% francês, 20% alemão e 10% de países nórdicos). Alemão eu falo, mas francês e aquelas línguas lá de cima, não. Quando você se encontra num bar com viajantes interessantes do outro lado do mundo, a única língua comum é o inglês. Não tem jeito. Se você for confiante no portunhol ou mesmo no espanhol corre o risco de ficar jogando paciência no seu quarto. Mesmo nos países vizinhos.

3- Dar uma variada na sua lista de relacionamentos amorosos


Dirijo-me primeiramente às mulheres solteiras do meu Brasil:
Se você, como eu, vive reclamando do caráter dos homens brasileiros, da falta de compromisso da parte deles e da dificuldade que você tem pra ter um relacionamento de qualidade com alguém, pense em mudar de ares. Não estou generalizando, nem do lado de lá, nem no de cá. Simplesmente afirmo que mudar de ares é positivíssimo. Conhecer outras culturas, outras línguas, enfim. Eu tive minha cota de casos com estrangeiros. Meu primeiro namorado era húngaro, e a única língua em comum era o inglês. Já flertei com francês, sueco, indonésio, canadense, americano, polonês, tcheco, italiano, holandês, suíço, sulafricano, búlgaro, croata, finlandês, e parei (e espero ficar parada) num alemão. Assumo que o inglês não é, nem de longe, a língua mais romântica do mundo. Ouvir um francês falando no seu ouvido, por exemplo, não se compara. Mas e se o francês murmura lindamente ao seu ouvido: "Estou com uma vontade louca de comer peixe frito"? Você não fala francês, não sabe a diferença. Meu primeiro namorado, numa bela noite de lua cheia, à beira do Danúbio em Budapeste, disse, olhadno nos meus olhos "haiushfnahdbnaksbkdjnaklsa". Eu concluí que ele falou que me amava, e disse "Eu também", em português mesmo. Se ele realmente falou isso, não sei, mas depois pude tirar a dúvida perguntando em inglês. O amor é lindo, mas a comunicação é fundamental.
Agora dirijo-me aos homens. Não conheço nenhum homem que já não tenha sonhado em ter um caso com uma gringa. Do tipo loirinha-modelo que ficaria louca com um brasileiro. Sim, brazucas, vocês têm a pegada. Mas vocês dificilmente vão chegar a pegar alguém sem falar uma palavra de inglês. Esse hábito de olhar e beijar com as gringas não cola. Elas vão dançar sensualmente na tua frente e podem até te tocar, mas quando você abrir a boca só sair "Whatsthename?" ou "Whereyoufrom?", esquece. Nada mais brochante- com o perdão da palavra- do que um cara que não sabe flertar contigo. E nada mais excitante que um cara que, junto ao olhar 43, traz consigo um bom papo e provocações verbais. Pra isso, meu bem, as aulinhas de inglês que você fez 15 anos atrás no colegial não te prepararam, né? Nunca é tarde.

4- Contribuir para a melhor colocação do Brasil no IPE da EF


Dizem por aí que falar inglês não é mais um diferencial, mas essencial. No entanto, seus amigos mais próximos também não falam inglês além do verb to be, e você acha que então está tudo bem, você não está tão mal assim, certo? Errado. Vocês estão todos mal. O que acontece é que o nível de proficiência em inglês (IPE) do brasileiro é muito baixo, o que coloca o Brasil no 46  lugar na lista de países do Índice de Proficiência em Inglês realizado pela EF. Aí você pensa "Ah, os primeiros 45 países devem ser da Europa, né?" Dá  só uma olhadinha no link abaixo:

http://www.ef.com.br/__/~/media/efcom/epi/2012/full_reports/ef-epi-2012-report-br-lr.pdf

Estamos atrás de nada menos que, por exemplo, Rússia, Marrocos, Chile, Argentina, Equador, Irã e China. 
Eu fui professora de inglês também na China. Pros chineses, falar inglês é super difícil, alguns fonemas são bem diferentes daqueles do chinês. Os caras não têm nem alfabeto, nunca jogaram Jogo da Forca na vida (sim, porque não é óbvio que uma palavra possa ser dividida em sílabas ou letras), mas estão na nossa frente. E você contribui pra isso.

5- Libertar-se da legenda

Só quem sabe inglês (não só a língua, mas também um pouco da cultura americana/britânica) tem o prazer de entender uma piada em inglês. Muitas vezes, vendo sitcoms, por exemplo, aquelas risadinhas ao fundo se matam de rir e você tem a impressão de que estão rindo de ti. "Cadê a graça?", você pensa. 
Quando eu comecei a dominar o inglês, ao assistir a FRIENDS sempre criticava a tradutora das legendas, porque eu sabia que o que estava escrito não era bem o que os atores tinham falado (Hoje, como tradutora, entendo melhor as limitações da tradução, sobretudo na tradução para legendas). Se você também tem essa impressão, está no caminho certo e deve continuar se aprimorando. Se você nunca questionou a legenda de filmes ou séries, é hora de tomar uma atitude e começar a aprender inglês.
Acima desses dois motivos, convenhamos que é muito inconveniente ter que ler ao mesmo tempo que assiste a algo.  Você perde cenas, detalhes e expressões porque estava tentando ler a legenda naquele tempo curto. Liberte-se da legenda.

6- Saber cantar as músicas que você curte ouvir- e saber exatamente o que você está cantando.


Sempre que penso sobre isso lembro-me de uma música do Robbie Williams que foi famosa há uns 10 anos. A música é uma baladinha que soa bonitinha e romântica, e na época lembro que várias amigas recebiam CDs dos namorados com essa música. Eu ria em silêncio, na minha malignidade, e não falava nada, que era pra não causar problema pros namorados.
 Veja o vídeo abaixo e contemple o perigo de não saber o que você canta.

http://www.youtube.com/watch?v=6FivILK5nqE

7- Continuar gostando das músicas que você gosta, mesmo sabendo o que elas significam


Hoje em dia se você quiser saber o significado de uma música, basta procurar a tradução na internet. O problema é quando a música fala, por exemplo, o seguinte

"Uma milha pra cada polegada da sua pele de porcelana
Um par de lábios de bala, sua língua de chiclete.
Porque se você quiser amor, o faremos
Nadando num mar profundo de lençóis
Pegaremos todos seus grandes planos e os quebraremos
Isso deve durar um tempinho
Seu corpo é um país das maravilhas"

A música parece ser do Wando, mas não é. Clique no link abaixo para descobrir qual é a música
http://www.youtube.com/watch?v=myPQvgS7zu0


Obviamente há outros motivos para saber inglês: para constar no currículo, para usar no trabalho, para ler livros e artigos na língua original, conversar e fazer amizade com pessoas do mundo todo, etc.
Como -infelizmente pra vocês, e felizmente pra mim- para saber inglês é preciso aprendê-lo, anime-se e aprenda. Mesmo que haja algum bloqueio ou dificuldade inicial, a tendência é esses problemas irem diminuindo pouco a pouco. Quando você menos esperar, vai estar pronta/o para ir pra Austrália com seu namorado/a norueguês/a e assistir ao Senhor dos Anéis sem legenda.

Nós topamos esse desafio.



Se tiverem outros motivos, podem postar nos comentários












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